Projeto

A Origem

Da necessidade de exteriorizar os sentimentos e os pensamentos que abatem o indivíduo ao se descobrir soropositivo, foi criado o blog em janeiro de 2010. Com a troca entre leitor e autor o olhar para o HIV/AIDS foi se ampliando e juntamente com os aprendizados na graduação em Ciências Sociais com ênfase em Produção e Política Cultural, o projeto começou a tomar forma.
“O Impacto Social do HIV no Brasil – Produções e ações culturais como estratégia na redução do preconceito” foi o trabalho de conclusão de curso, orientado pela professora Francis Mizputen, que deu forma ao Uma Vida positiva.
Trabalhar a parte social e humana em plataformas artísticas diferentes tornou-se uma necessidade e realidade desde então.
Blog, Livro, Dança, Programa de Web Rádio e Palestras já estão em atividade, documentário e longa-metragem em pré-produção.

O Tema

Com o acesso à informação e o alto incentivo em pesquisas, o Brasil tornou-se referência mundial na busca de respostas para a doença crônica aqui instalada. Quando olhou diretamente para os infectados, tornou-se também referência no tratamento e distribuição de fármacos, disponibilizando os anti-retrovirais gratuitamente, ação proveniente da quebra de patentes e da produção de partes desses medicamentos pelos laboratórios nacionais.
De acordo com os dados do Ministério da Saúde, devido ao acesso ampliado aos medicamentos para o tratamento, o coeficiente de mortalidade no país vem se mantendo estável desde 1998 e a luta para prevenção e conscientização social do HIV vai, cada dia mais, tomando espaço entre os meios de comunicação, promovendo campanhas e ações culturais destinadas a grupos específicos e à população em geral.
A AIDS surgiu como uma importante questão social em 1981, nos Estados Unidos, e expandiu-se rapidamente por vários países do mundo. Segundo Marques (2003) a chegada do vírus da Aids, no Brasil, trouxe todas as metáforas transformadas em preconceito, moralismo, medo, entre outros elementos, associados às características próprias de um país que sofria profundas mudanças políticas, sociais e econômicas nos últimos 20 anos.
Considerada como o problema de saúde pública mais importante do final do séc XX, a AIDS – diferente de outras epidemias – originou uma mitologia própria tão forte capaz de impactar as relações sociais. Com a definição de contagiosa, incurável e mortal, ela permeia o inconsciente das pessoas e fortalece a construção social como um problema do “outro”, como algo distante e nunca de si próprio.
Enfatizando a contribuição cultural no processo de combate aos efeitos causados pela doença, Crochík (2006) afirma que a cultura deve, por seu próprio princípio, ser cada vez mais inclusiva, ou seja, consentir o convívio de diferentes pessoas com diferentes habilidades, credos, cor e etc.
É justamente esta inclusão cultural e social que deve ser ampliada quando falamos de HIV/AIDS, já que ela pode permitir que o portador do vírus reconheça a si próprio em ações culturais como campanhas governamentais, espetáculos, livros, etc. Tal identificação pode exercer uma função desbloqueadora do preconceito interno, e, a partir daí, transformar, gradativamente, o olhar da sociedade.
Após se deparar com o resultado positivo de um exame de HIV, o ser humano busca, automaticamente em sua memória, referências de imagens e acontecimentos sobre a doença, na tentativa de encontrar um norte. Justamente nesse momento é que a afirmação do atraso no lado social da doença se faz valer, já que culturalmente falando, o Brasil não dispõe de tantas informações, imagens e memórias positivas circulando pela sociedade. As referências mais expressivas ainda datam da década de 80 e 90, período em que a doença era associada à morte súbita, triste e dolorosa.

Justificativa

Partindo do princípio de que a arte é transformadora, usá-la a favor dos problemas sociais do nosso país pode trazer resultados interessantes e posicionar mais ainda o Brasil como referência quando o tema é o HIV/AIDS.
Os números divulgados pelo Ministério da Saúde alertam sobre o nível de contaminação em que o país se encontra. Temos por volta de 600 mil infectados pelo vírus, sendo que mais de 250 mil não sabem que estão infectados, não se confrontaram ainda com esta realidade e o quanto antes atitudes mais firmes e criativas forem colocadas em práticas, mais o sofrimento de milhares poderá ser amenizado. Esta é uma luta onde a sociedade exerce um papel fundamental. Ampliar o debate e o questionamento só aumenta a chance da redução do preconceito e do impacto negativo existentes.

Estimular a conscientização e trazer a atenção necessária para a existência desta doença crônica traz a significância para este projeto, para que a realidade da epidemia e a vida social estejam entremeadas por meio de produções e ações culturais capazes deste feito.